Obesidade X Desnutrição – nem tudo é o que parece

Quando pensamos em desnutrição, em gente desnutrida, a primeira imagem que nos vem à cabeça são figuras humanas magras, fracas, esquálidas, que vivem em extrema pobreza. Engano nosso. Com o aumento do número de obesos e da taxa de sobrepeso no mundo, evidenciou-se uma nova definição de desnutrição: o mal-nutrido (em inglês, malnutrition), que não diz mais respeito à falta de comida, mas está relacionado à falta de nutrientes.

Obesos com diversas deficiências nutricionais, sejam crianças ou adultos, consomem quase sempre muito carboidrato e açúcares – as chamadas calorias vazias – e pouco nutriente (presentes na comida natural). Com um agravante: quando fazem dietas restritivas para perder peso, o fazem de maneira errada, porque deixam de consumir alimentos necessários.

Nos Estados Unidos, duas empresas – Global Alliance for Improved Nutrition (Aliança Global para Melhorar a Nutrição, em tradução livre) e Amway – decidiram, em marco de 2015, lançar o projeto  – Malnutrition Mapping Project – para mapear a malnutrição e entender os fatores que levam a esta condição ao redor do mundo,  além de oferecer subsídios e informações aos governos e instituições para que os mesmos desenvolvam  estratégias para combater a má nutrição.

Uma das revelações que mais preocuparam os estudiosos e pesquisadores do projeto foi a de que metade da população mundial enfrenta a má-nutrição em alguma de suas formas, agravada em muitos casos pelo prevalência da obesidade e sobrepeso. Mais grave ainda: maioria das crianças menores de 5 anos (fase fundamental para desenvolvimento do corpo, metabolismo, sistema imune, capacidade cognitiva, formação óssea, crescimento etc) estão mal nutridas. Na Índia, por exemplo, a desnutrição é o principal fator de morte para crianças menores de 5 anos.

Crianças que consomem alimentos ricos em açúcar e produtos industrializados tem o metabolismo prejudicado. Por exemplo, baixa ingestão de cálcio compromete a formação óssea e a ausência de zinco afeta o crescimento e aprendizado. Falta de fibras afeta ritmo do intestino e é nesta fase da vida que se forma e se consolida o hábito alimentar.

Vale lembrar que uma criança obesa vai acabar se tornando um adulto obeso. A obesidade é precursora de doenças como diabetes, hipertensão e câncer, por exemplo. E tudo isso pode ser revertido com planejamento alimentar e dieta balanceada. Fatores como ambiente familiar,  alimentação correta da família, escolha correta na compra dos alimentos e atividade física podem ser primordiais para prevenção da obesidade.

Referências:

ASBRAN. Recomendações da OMS para enfrentar má nutrição. Associação Brasileira de Nutrição, 2017. Acesso em: 10/12/2019

BRASIL. Ministério da saúde. Obesidade e desnutrição: nem tudo é o que parece. Acesso em: 10/12/2019

CSRwire. Projeto de mapeamento de desnutrição apresentado pela Harvard Kennedy School. The Corporate Social Responsability Newswire, 2017. Acesso em: 10/12/2019

Amway. Novo projeto de mapeamento digital identifica quadro global de desnutrição. Amway Global, 2015. Acesso em: 10/12/2019

RECINE. E; RADAELLI. P. Obesidade e desnutrição. Departamento de Nutrição da Faculdade de Ciências sociais da Saúde da Universidade de Brasília e Área Técnica de Alimentação e Nutrição do Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Política de Saúde do Ministério da Saúde (DAB/SPS/MS), 2017. Acesso em: 10/12/2019

Gostou desse texto? Então compartilhe
Compartilhar no facebook
Compatilhar no Facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no WhatsApp
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no Linkedin
Compartilhar no twitter
Compartilhar no Twitter

Deixe um comentário