O crescimento da criança sob o olhar do endocrinologista

O endocrinologista é um dos profissionais de Saúde que atuam no acompanhamento do crescimento de crianças e adolescentes. Seu trabalho é fundamental no diagnóstico e tratamento de disfunções hormonais, que podem ocorrer desde a fase neonatal até o final da adolescência. Essas alterações podem gerar repercussões sobre o desenvolvimento e o metabolismo do organismo que está em formação.

Segundo o portal da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, “embora não seja uma regra sem exceções, grande parte das crianças e adolescentes obesos também terão obesidade na idade adulta. Isso porque, além de carregarem os determinantes genéticos, tendem a manter os erros nutricionais e socioculturais que desencadeiam e agravam os mecanismos geradores do ganho excessivo de peso. Portanto, embora o tratamento medicamentoso não seja necessário durante essa fase, todas as medidas educacionais são essenciais para a prevenção da evolução do quadro de obesidade.

“Crianças e adolescentes devem sempre ter o acompanhamento com o pediatra e podem procurar a orientação do endocrinologista pediátrico quando apresentarem qualquer alteração no crescimento – alta ou baixa estatura – ou no ganho de peso – baixo peso ou obesidade”, enfatiza a endocrinologista Maria Cecilia Fittipaldi (CRM 145.616/ RQE 55.137). Ela destaca que há, ainda, uma série de outras situações que a criança pode precisar da atenção médica do especialista em Endocrinologia, como distúrbios da puberdade (precoce ou atrasada), alterações da glândula tireoide (hipotireoidismo, hipertireoidismo ou nódulos de tireoide), alteração da glicemia (diabetes mellitus ou hipoglicemia), alterações de colesterol, distúrbios hormonais da glândula adrenal, distúrbios do metabolismo óssea (raquitismo, deficiência de vitamina D, alterações na paratireoide) e distúrbios da diferenciação sexual.

“O mito de antigamente que ‘criança gordinha’ era sinônimo de saúde já caiu por terra. Cabe ao endocrinologista infantil avaliar os padrões de crescimento (envolvendo também o canal familiar – estatura dos pais), o ganho ponderal (existem curvas de peso para sexo e idade que mostram se a criança está acima, dentro ou abaixo do peso), bem como o desenvolvimento puberal (evolução da infância para a puberdade), incluindo alterações hormonais fisiológicas e patológicas (alterações anormais) presentes no período”, exemplifica Maria Cecília.

Infelizmente o número de crianças com obesidade vem aumentando assustadoramente. “A obesidade é uma doença de etiologia multifatorial influenciada por fatores genéticos, endócrino-metabólicos e comportamentais. Em torno de 80% das crianças com obesidade serão adultos obesos. A abordagem do ganho de peso na infância deve ser multidisciplinar, pois a adesão ao tratamento é maior quando conduzida por uma equipe. A criança que é acompanhada apenas por um profissional tem quatro vezes mais chances de abandonar o tratamento. Intervenção nutricional, programa de exercícios, acompanhamento psicológico e acompanhamento médico possuem índices de sucesso mais altos”, garante a endocrinologista.

Segundo Maria Cecília Fittipaldi, a infância é um período de formação de hábitos. Por isso, identificar práticas alimentares inadequadas e associá-las ao excesso de peso e de adiposidade corporal permitirão ao endocrinologista propor iniciativas que poderão auxiliar na prevenção de doenças crônicas, assim como na redução de danos à saúde em curto e longo prazos, por meio de incentivo e adoção de rotinas saudáveis.

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