Hortas urbanas podem ser espaço de convivência e troca de saberes

Projeto de hortas urbanas estimula a alimentação mais saudável e o uso racional dos recursos naturais

O videomaker Márcio Santos tinha quase duas décadas de experiência no mercado de Comunicação como editor de vídeos e técnico de áudio quando criou o projeto Orgânico Simples. Segundo ele, a ideia surgiu há cinco anos, da necessidade de criação de uma proposta autoral, com informações de qualidade. “Já era consumidor de orgânicos e encontrava, apenas, produções segmentadas”, conta. A proposta de incentivar as filhas a consumirem alimentos frescos e saudáveis foi o impulso decisivo. “ Passei a acompanhar e gravar vídeos em feiras orgânicas, sítios, fazendas, festivais de gastronomia…”, relata. A partir do canal, Márcio colocou literalmente a mão na massa – ou na terra – e iniciou sua própria experiência de plantar.

Atualmente, trabalha num terreno de 500 metros quadrados na Zona Oeste de São Paulo, onde faz estudos de plantio, de adubação, compostagem, captação de água de chuva e produção de energia renovável com painéis solares. No local, utilizam até um purificador de água solar. “É um local de inclusão social, para partilhar este aprendizado em economia sustentável”, define.

Incentivo às hortas urbanas

Márcio Santos garante que qualquer pessoa pode ter uma horta em casa. “Foi como comecei. Tinha uma floreira pequena, com alguns temperos, comprei algumas mudas e hoje trabalho com agricultura e produção de alimentos”, destaca.

O conceito de horta urbana abrange um espaço, que pode ser público ou particular, onde vizinhos, amigos, parentes se juntam para montar um cultivo que vai servir para alimentar a comunidade. O viés colaborativo também é uma característica: “é um espaço de troca de saberes”.

A parte de planejamento é, talvez, a fase mais importante para iniciar e manter a horta. Para consumo próprio, na hora de escolher o que cultivar, vale privilegiar os alimentos que a família já come. Para quem quer comercializar, é importante fazer uma pesquisa de mercado, medir a área da plantação, estabelecer as estratégias de irrigação, além de conhecer a sazonalidade dos produtos. A produção da forma orgânica não utiliza venenos ou adubos químicos.

Os benefícios do cultivo orgânico são muitos. “Podemos citar a preservação da flora, fauna, dos lençóis freáticos, a manutenção da qualidade da água e do ar na área. Não é só o consumo do produto para o corpo. É uma cadeia muito maior. O bem para o organismo é uma consequência de cuidar bem da natureza”, explica Márcio.

As crianças podem e devem estar envolvidas no cuidado da horta. “Os pequenos adoram. Acho que quanto mais novos se envolvem nisso, melhor. Eles têm uma energia maravilhosa, que transmitem para o alimento. O contato com a terra é muito bom para as crianças”, destaca Márcio.

O curso gratuito de horta urbana é um dos mais acessados no canal do YouTube do Orgânico Simples.

Informação como estratégia para tornar os orgânicos mais acessíveis

Márcio Santos acredita que o aumento do interesse pelos alimentos orgânicos vá criar um ciclo positivo, estimulando a produção, com preços mais acessíveis. Os consumidores vão entender melhor a relação entre preço e qualidade. “Há locais e produtores que promovem vantagens, por exemplo, nas compras em grupo. Se o quilo de arroz varia entre R$ 7 e R$ 14, em grandes quantidades, é possível chegar a R$ 4 o quilo, um valor bastante competitivo”, afirma.

A inclusão de orgânicos na alimentação pode acontecer aos poucos. A sugestão é iniciar a substituição pelos alimentos que possuem mais agrotóxicos no cultivo, como alface, arroz, alho, laranja, pimentão, tomate e uva. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária disponibiliza uma tabela com a análise dos resíduos de substâncias tóxicas em frutas e legumes.

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